10: Galinha, vizinho e parto
Costurando uma blusa para si mesma. Sara ficou refletindo sobre amar a si mesma. É um assunto interessante em uma sociedade patriarcal. O bode da Lourdes ficava andando pela parte de fora da casa e as vezes subia nos lugares altos. Sara ficava rindo.
-Se eu tivesse uma pernas boas dessa...
A vida era pacata. Basicamente comiam e bebiam, brincavam e tinham filhos. As mulheres cuidavam dos maridos e os maridos do campo. Os parentes eram unidos e os amigos nem tanto. Havia muita violencia domestica, jovens que davam trabalho com namorados... A vizinha estava grávida e o esposo fez um puleiro para criar galinhas selvagens, as galinhas de capoeira como diziam, e assim elas comeriam apenas o que eles dessem, "purificando" a carne para as grávidas ficarem mais fortes.
Outras vizinhas da mesma rua em outras épocas sofriam nas mãos do marido em silencio. Não era uma fofoca comentada, era uma fofoca sabida e omitida entre as mulheres. Não havia muito o que fazer. A maior alegria era cozinhar comida ou fazer biscoito com outras mulheres sofridas e guerreiras, mães de uma grande e linda família. O interessante era o compartilhar, desde o ovo da galinha do seu puleiro até as lágrimas.
Mas de vez em quando os partos eram complicados. De vez em quando não se tinha mais vizinha, trocava de personagem, iam-se vidas... Vinha outra vizinha e novas crianças de outra mulher. As que cresciam iam embora trabalhar ou casar, os que ficavam na roça ainda cuidavam dos novos meninos que chegavam ao mundo. Assim, homens de 3 casamentos e muitas perdas doloridas...
Era domingo de manhã e Sebastião havia levado todas as crianças para participarem da crisma na missa. O padre fazia a cerimonia e Sara passava mal em casa.
No caminho Sebastião perguntava as crianças sobre o que haviam aprendido e sempre era a mesma resposta:
-Não sabemos falar em latim.
Sebastião era muito católico e seus filhos eram seguidores das ordens do pai.
Os vizinhos de Sara chamavam uns aos outros e se faziam presentes na varanda da casa.
Sebastião chegou perto de casa e viu uma grande multidão na varanda.
-Sara.
Foi um dia ruim, mas no final do dia Sara dormiu bem. Descansou e tudo não passou de um susto.
Sebastião e Sara ficaram conversando a noite um com o outro, pegaram no sono e dormiram profundamente.
Era domingo de manhã e Sebastião havia levado todas as crianças para participarem da crisma na missa. O padre fazia a cerimonia e Sara passava mal em casa.
No caminho Sebastião perguntava as crianças sobre o que haviam aprendido e sempre era a mesma resposta:
-Não sabemos falar em latim.
Sebastião era muito católico e seus filhos eram seguidores das ordens do pai.
Os vizinhos de Sara chamavam uns aos outros e se faziam presentes na varanda da casa.
Sebastião chegou perto de casa e viu uma grande multidão na varanda.
-Sara.
Foi um dia ruim, mas no final do dia Sara dormiu bem. Descansou e tudo não passou de um susto.
Sebastião e Sara ficaram conversando a noite um com o outro, pegaram no sono e dormiram profundamente.
No outro dia ela sentou todas as crianças na sala e disse alguns dias antes do parto:
-Deus me disse que me minha hora chegou. Vou partir. Lourdes, como irmã mais velha, voce vai cuidar de todos os seus irmãos e ajudar seu pai.
-Para com isso mãe. Deixa de falar coisa que não existe.
-Maria, Deus irá me levar.
-Não pode ser, como assim! Com esse tanto de criança! Como assim!
[...]
-Fale com Deus para adiantar essa data!
-Minha filha, as coisas não funcionam assim... seja feita a vontade de Deus, na hora que Ele achar que é a hora.
-Então eu quero ir no seu lugar. Voce não pode deixar de viver, eu posso.
-Lourdes, cuide dos seus irmãos.
[...]
-Maria, Deus irá me levar.
-Não pode ser, como assim! Com esse tanto de criança! Como assim!
[...]
-Fale com Deus para adiantar essa data!
-Minha filha, as coisas não funcionam assim... seja feita a vontade de Deus, na hora que Ele achar que é a hora.
-Então eu quero ir no seu lugar. Voce não pode deixar de viver, eu posso.
-Lourdes, cuide dos seus irmãos.
[...]
Todos choraram naquela noite com medo de perder a mãe, mas não foi mais doloroso quando o dia de fato de dizer adeus. Como pode ser uma Sara tão especial assim... Quem se despede antes de partir se a morte é incerta? Sara Ferreira de Amorim, serena, filha de Deus. Dama e senhora, adeus.
A verdade é que o adeus é mais surpresa que o nascimento. A morte nos pega sem dar tempo de despedir e leva embora todos os sonhos e planos como num assalto. Ela puxa nosso tapete debaixo dos pés e a gente cai feito um abacate preto. Simplesmente não deixa tempo para pensar se vai dar tempo de planejar essa viagem sem volta rumo ao cemitério. Qual cemitério, como vai o ser o caixão, que flores que se usam, precisam de flores nessas horas, qual o sentido das flores, o que eu não fiz em vida, o que deu errado e terei que perdoar, como será esse vazio na frente, o que eu posso fazer... nada.
Ninguém viu o parto sofrido que ela teve, mas durou a noite inteira. Ela faleceu e apenas os que estavam no quarto viram. Foi uma lembrança que merecia ser guardada apenas ali naquele quarto e esquecida. Ela foi enterrada e sua morte foi muito dolorida para todos o que a conheciam. Isaura também morreu 3 meses depois do falecimento da mãe. Sim, foi da Isaura esse último parto.
Sebastião sofreu muito. Sofreu tanto que em 6 meses se uniu matrimonialmente a Jacinta para ter mais suporte, de fato. A perda de uma esposa era um grande desafio... Ele assim mesmo cuidava da colheita com força. Seus filhos nunca passaram fome. Sempre deu educação e saúde para que pudessem ser felizes. Era uma bela família. Jacinta já era uma grande amiga da família, especialmente de Sara. Apesar da grande diferença de idade entre o casal, foi com ela que Sebastião aumentou em 9 crianças a familia, foi com ela que ele fora feliz até o dia de sua morte. Todos eram grandes amigos e Jacinta foi uma ótima mãe.
Ninguém viu o parto sofrido que ela teve, mas durou a noite inteira. Ela faleceu e apenas os que estavam no quarto viram. Foi uma lembrança que merecia ser guardada apenas ali naquele quarto e esquecida. Ela foi enterrada e sua morte foi muito dolorida para todos o que a conheciam. Isaura também morreu 3 meses depois do falecimento da mãe. Sim, foi da Isaura esse último parto.
Sebastião sofreu muito. Sofreu tanto que em 6 meses se uniu matrimonialmente a Jacinta para ter mais suporte, de fato. A perda de uma esposa era um grande desafio... Ele assim mesmo cuidava da colheita com força. Seus filhos nunca passaram fome. Sempre deu educação e saúde para que pudessem ser felizes. Era uma bela família. Jacinta já era uma grande amiga da família, especialmente de Sara. Apesar da grande diferença de idade entre o casal, foi com ela que Sebastião aumentou em 9 crianças a familia, foi com ela que ele fora feliz até o dia de sua morte. Todos eram grandes amigos e Jacinta foi uma ótima mãe.
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