Celina
Celina são todas as pessoas que chegam na nossa casa com um saco de pequi de presente. Elas tem o olho azul, são gordinhas e de cabelos compridos. Tiveram uma vida sofrida e ao mesmo tempo ajudaram a muitos. Perdoou quem não merecia e ainda deu de comer para eles. Levou no médico e cuidou até a morte.
Elas são alegres e riem alto. Não esquecem de nós ao ir ao mercado, sempre levando pra casa um pote de plástico, uma saleira, um bule de chá, uma fruta, uma abóbora gigante ou coisas como essas que ninguém compra de presente para outra pessoa normalmente. São esses os nossos presentes. Eles são os melhores, porque vira o almoço mais gostoso de uma terça feira comum, fica na estante todos os dias pela sua grande utilidade e não estragam ou quebram nunca. Parecem ser objetos eternos que se dá de herança pros filhos. Ainda por cima carregam histórias, porque do tanto de tempo que aqueles objetos viveram na nossa casa, muitas coisas e eventos aconteceram e eles estavam lá junto com a gente, vivendo também.
Celina são os apelidos que ganhamos. Sabe aquele nome esquisito que passou na novela ou uma expressão da língua portuguesa que se ouve e vira piada interna? São esses. Ninguém entende se ouvir, só a gente. E a gente morre de rir. Piada interna. Coisa de Celina.
Celina come coisas que caiu no chão e diz "tô nem aí", sonha altíssimo e vive tão despreocupada que nem gripe pega de tanta saúde.
Essas pessoas que ligam para a gente no meio do nada e diz: "tô indo na sua casa". Nem que seja por 2 horinhas, mesmo eu morando no Japão e ela no Guará. Exatamente naquele dia que eu precisava de um sorriso. Ela nem sabia disso e até eu esqueci o que era depois.
Precisa-se de mais Celinas nesse mundo.

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