A paisagem do meu auto retrato


O mesmo céu. Outono, inverno, primavera e verão. 
Caminhando por essa calçada pelo oitavo ano - 32 estações - em uma mesma direção.
Um corredor de árvores frondosas que fazem desenhos em cima das cabeças e sombras com a luz do meio dia. 
Uma parede colorida pelo grafite de um homem nômade carregando sob seus ombros panelas e um monte de coisas. 
Atrás dele, uma cidade acordada a noite. 
Uma praça com bancos sob copa de árvores, muitos jovem estudantes é uma quadra de esporte nada. 
Também tem uma cobertura, tipo aquelas de filme romântico, vermelha, no meio do nada. 
Tem a banca 21 de abril com uma escada. 
O ponto 4:20.
Continuando, tem aquele galho que atrapalha a passagem dos cegos. 
Sempre esbarra no rosto das pessoas lerdas. 
Os cegos são espertos. 
Tem a barraca de anéis. 
O tapete do hippie, o carrinho do doce, o churros, mais um carrinho do doce, o carro do açaí barato, outro hippie, outro açaí.
Tem pé de amora, periquitos, buraco de cigarra no chão em agosto. 
Toca música de recreio. 
Tem uma faixa de pedestre e grades.
Ótimo refúgio para quem não quer dar satisfação para opinião dos outros. 
Ótima passagem para quem gosta de copas de árvores. 
Ótima trajetória para pessoas no modo automático. 
Ótimo caminho para esbarrar em pessoas boas, ruim, todos tipo de pessoas. 
Ótimo lugar para observar.
Único lugar para sentar sozinho, sem medo, e apenas permanecer só.
A paisagem do meu auto retrato. 

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